Tem dias que parecem que vai dar tudo certo até o fim, que as coisas não ficarão piores do que já estão e que vou poder deitar minha cabeça no travesseiro e dar graças pela situação não ter piorado - me refiro a todas as áreas, mas prefiro ser sincera e focar no coração -, que poderei dormir "acostumada" com o fardo... Mas pena que nem tudo o que parece é, e não foi. Quando menos esperei recebi um balde de água fria no meio da rua e o meu fardo pareceu pesar mais do que eu estava acostumada a carregar. O que fazer num momento como esses? Chorar? talvez. Culpar a Deus? não.
Então ignorei. Estava toda encharcada, mas mesmo assim preferi ignorar. Até agora não sei se o que fiz foi o melhor mas o que eu sei é que devo muito a Ele, sim devo muito a Deus porque ainda estou de pé. A um ano carreguei um fardo como esse e também foi um balde de água fria. Mas foi diferente, porque eu não ignorei e sim chorei. Derramei muitas lágrimas que me fizeram falta e fazem até hoje...
É difícil dar graças quando estamos passando por momentos de trevas e quando carregamos fardos pesados demais. Mas agora a pouco estava lendo a Bíblia e resolvi dedicar o meu estudo de hoje ao livro Eclesiastes. Comecei a ler e logo nos primeiros 10 versículos meu coração gelou. Eu não sabia do que se tratava o livro, a não ser pela breve descrição que tem na minha Bíblia sobre o assunto, mas fora isso eu não fazia ideia de como era.
O que entendi sobre a leitura foi que quem escreveu foi alguém que não estava nada satisfeito com a vida debaixo do sol. Por um momento me identifiquei, pois também tenho sofrido por algo inútil. Como correr atrás do vento.
E o fardo? Continua aqui, ainda pesado, ainda doloroso.. mas agora eu sei que é cansaço de tanto correr atrás do vento.
Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento; não há nenhum proveito no que se faz debaixo do sol. Eclesiastes 2:11
Bianca Garrido

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